segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Abertura da temporada 2016 e Projeto Eleição 2016, digo, Arena Barradão

Faaaala mô povo! Tô de vorta e sem essa balela de que estava ocupado, cheio de obra e sem tempo nem para respirar. A verdade verdadeira é que a tal da crise pegou minha internet emprestada para mandar um e-mail e demorou um tempão para devolvê-la. Mas deixemos essa conversa fiada para outro dia e vamos ao que realmente interessa!

Na última terça-feira (26/01), o Vitória abriu a temporada 2016 com um amistoso contra o Tianjin Quanjian (CHI), que traduzindo para o bom português fica “Time chinês do Plofexô Luxa”. Calma, não precisa ficar me xingando de tricolor, não vou discorrer sobre o jogo, o texto é sobre o evento que aconteceu antes do treino ataque-contra-defesa, que o Vitória venceu por 5x1, e o projeto da arena eleição, digo, Arena Barradão.


Abertura da temporada:
Num evento para abertura de temporada, como nunca tinha visto no Brasil, além do terceiro uniforme, chamado de Origens (gostei da camisa, mas não sei o quê que essa cor tem de relação com as origens do rubro-negro, não dá nem pra dizer que foi a primeira camisa de goleiro) e do elenco que iniciará a temporada 2016, o Leão apresentou à sua torcida praticamente todos seus atletas, teve time de vôlei, vôlei de praia, futsal, futebol americano, atletas de natação, jiu-jítsu, judô, remo, faltou só o time de basquete, que no momento do evento enfrentava a Liga Sorocabana pelo NBB no Ginásio de Cajazeiras, e foi representado por alguns atores.

Terceiro uniforme 2016

Atletas de diversas modalidades no gramado da FonteNova

O vice-presidente rubro-negro disse que ficou decepcionado com o publico, cerca de 9 mil pagantes, enquanto o narrador da SporTV achou que o evento foi mal divulgado. Vocês vão dizer que eu tenho má vontade com a atual diretoria, mas concordo com o cidadão da TV. Um evento deste porte, você deve utilizar todos as formas para divulgar, deixar claro o que vai acontecer, que vão ser apresentados atletas de várias modalidades esportivas, que o evento vai ser algo inédito no país, etc. e não ficar exaltando um time da segunda divisão chinesa que tomou 4x2 do Taubaté, 4x0 do Bragantino e 2x1 do XV de Piracicaba, como o Vitória fez.

Projeto Eleição 2016 Arena Barradão:
O projeto da Arena Barradão está realmente muito bonito, confira o vídeo na página oficial do Vitória no FB. Se realizado, será um dos melhores estádios brasileiros. O Leão divulgou no ultimo fim de semana o cronograma para a reforma do estádio. Cronograma que deixa como o prazo para entrega do projeto executivo junho/16, conclusão da captação de recursos dezembro/16, início das obras em janeiro/17 e reinauguração do Manoel Barradas em 13/05/19.
Projeto da Arena Barradão

Até aí tudo muito bem, tudo muito bonito, mas como diz minha avó, “gato escaldado tem medo de água fria” e acredita nessa diretoria, que entrou na justiça para derrubar o novo estatuto e as eleições diretas, quem quer. Devo lembrar que estamos em ano de eleições e nada melhor para colocar o eleitor a torcida do lado da atual diretoria que um projeto que transforma nosso caldeirão em uma arena. Espero ser surpreendido, mas infelizmente, ainda não acredito que este projeto sairá do papel, ao menos por enquanto. Nos resta aguardar.

É isso galera, espero que tenham gostado. 

Um abraço e até a próxima. Se a crise não surrupiar minha internet outra vez..

O Retorno do Regresso...

A volta dos Campeonatos Estaduais...
E, seguindo essa mesma linha de falta de vergonha, entre times, dirigentes e federações, nosso grorioso Campeonato Baiano também se iniciou nesse fim de semana.Então... é com grande alegria(?) que encaramos a volta dos tão queridos Estaduais... Mais uma ano vai, mais um ano vem e continuamos com torneios inchados, times e estádios que não têm a menor condição de receber grandes públicos (e mesmo pequenos públicos também...) e pouca presença do torcedor. Enfim, de norte a sul, começaram os estaduais.
Vale lembrar que, se lei fosse respeitada no Brasil, vários times não poderiam disputar os campeonatos (Botafogo e Bangu, para citar dois exemplos fora da Bahia), já que não possuem as CND (certidões negativas de débitos), sem as quais os times não poderiam entrar em campeonatos... Contudo, como no Brasil tem lei “que pega” e “que não pega”, essa não pegou... Segundo a FBF, as CND só serão necessárias em 2017. Assim, o Galícia conseguiu jogar esse ano.
Graaaaande criadora de regulamentos...
No Baianão, a curiosidade é que se espera tanto que Bahia e Vitória cheguem a final que o regulamento diz que a vaga na Série D é do 3º colocado. Logo, se um time do interior for campeão ou ficar em segundo lugar, NÃO disputa a série D. Legal isso, não?
Então, vamos a um resumo dessa primeira rodada:
Vitória 3x0 Jacuipense
No Vitória, os estreantes Marinho e Alípio, além do sempre desacreditado Arthur Maia, fizeram os gols. Correndo alguns riscos na defesa (antes de fazer 1x0, a Jacuipense não abriu o placar porque Fernando Miguel voltou bem!), o Vitória conseguiu controlar o jogo e se impor no Barradão, para pouco mais de 7000 presentes. Além disso, no segundo tempo, em pênalti bem marcado, mais uma vez, a estrela de Fernando Miguel brilhou e ele defendeu o Pênalti cobrado por Tiago Orobó.
O destaque do jogo ficou por conta da bela estreia de Marinho que, além do gol, deu uma assistência para Arthur Maia e quase marcou outro. Além disso, o time mostrou capacidade de criar jogadas e finalizar. 
Juazeirense 2x3 Bahia
Já o Bahia saiu atrás no placar, em um vacilo da Zaga, e empatou com Hernane “brocador”. Bom apontar que ambos os gols foram de Pênalti. Contudo, no Pênalti para o Bahia, como o zagueiro Braz foi expulso, o Juazeirense teve de jogar todo o segundo tempo com um a menos. E, sob um sol forte, contra um time maior, o Juazeirense até foi valente.
Com um jogador a mais, o Bahia foi para frente e fez o segundo com Edigar Junio. E, apesar de ter a vantagem numérica, a zaga do Bahia falhou e Ebinho ganhou na corrida dos zagueiros e empatou o jogo.
Como o empate não interessava, o Bahia voltou ao ataque e, em bela troca de passes, fez o terceiro, com Luisinho tocando para o Brocador fazer mais um.
Uma curiosidade desse jogo: O mando de campo era da Juazeirense, que manda seus jogos em Juazeiro, no Adauto Morais. Como o gramado está sendo reformado, o jogo não pode ser realizado lá. E, para onde o jogo foi transferido? Para Pituaçu, estádio em Salvador, estádio onde o Bahia mandava seus jogos até 3 anos atrás... É amigos. Time pequeno sofre...
Bahia de Feira 2x0 Feirense
E, como nesse baianão de meu deus, sempre tem mais histórias, dois times de Feira de Santana se enfrentaram em... Senhor do Bonfim??? Pois é. Como o Joia da Princesa não tem condições, mais uma mudança de cidade...
Marcaram pelo Bahia de Feira Matheus e Jarbas.
Flamengo de Guanambi 0x0 Vitória da Conquista
Colo Colo 0x0 Fluminense de Feira
Os dois últimos jogos de Domingo, pelo baianão, terminaram em 0x0.
E, teremos ainda um último jogo, ainda pela primeira rodada, em 11/02, a ser disputado por Galícia e Jacobina, na Arena Fonte Nova.


E ficamos por aqui por hoje... depois do carnaval, se tudo der certo, a gente volta aqui pra falar mal de novo...

domingo, 31 de janeiro de 2016

Fábulas

E se as fábulas que conhecemos fossem obrigadas a vir para o nosso mundo?
Fábulas - Volume 1 (06/2012)

E se alguém te contasse que o “Principe Encantado” não era tão legal assim? Que a Branca de Neve é uma bem-sucedida administradora de uma cidade onde o Xerife é ninguém menos que o “Lobo Mau”? E que as fábulas que conhecemos hoje moram em um bairro de Nova York?
Esse é o universo construído por Bill Willingham ao longo de Fábulas. Trata-se de uma série divertida e inovadora (surgida MUITO antes de Once Upon a Time), lançada em tempos idos pela Devir e relançada em encadernados pela Panini. Como eu quase não gosto de alimentar confusões, digo logo que o próprio autor da serie em quadrinhos diz que não houve plágio por parte da série de TV... (http://omelete.uol.com.br/quadrinhos/noticia/once-upon-time-x-fabulas-escritor-da-hq-diz-que-nao-ve-plagio-no-seriado/)
Depois de ouvir como sugestão de um amigo, aproveitei o relançamento desses encadernados e consegui comprar a número 1. Rapaz... que revista excelente!!!!!! Com desenhos muito bem feitos e com uma história cheia de reviravoltas e intrigas, Willingham vai construindo um universo onde vemos nossas tão conhecidas fábulas transformarem-se em realidade em plena Nova York.
E, um ponto excelente dessa obra é que, a medida em que os personagens vão sendo introduzidos na história, podemos observar que eles são bons, maus manipuladores, engraçados... E que, aquilo que sabemos deles das fábulas é apenas parte de suas histórias...
Nas páginas da Panini, Fábulas está em seu penúltimo capítulo (do qual não vou dar spoilers), além de uma série de Spin-offs bastante interessantes, como a série João das Fábulas (aquele do pé de feijão...).
Spin-Off - João das Fábulas
A série trata de explicar como as fábulas vieram parar em New York, como conviver com seus poderes no meio dos Mundanos (assim são chamados aqueles que não são fábulas), e sua busca para voltar para casa, as chamadas Terras Natais. Para tanto, ao longo de cada revista, revistamos grandes personagens, como Os Três Porquinhos, O Príncipe Encantado (que não parece ser exatamente aquilo que foi imaginado nas histórias...), Simbad, Branca de Neve, Cinderela, João e Maria, Pinóquio e Gepeto, entre outras dezenas de fábulas mais ou menos conhecidas por cada um de nós.
Branca de Neve e o Lobo Mau
E, além de lutar para voltar para casa, ainda devem encarar disputas entre as próprias fábulas (afinal, se são reais, tem opiniões diferentes, brigam e se divertem, não necessariamente tudo ao mesmo tempo...) e com outros inimigos menos conhecidos.
Resumindo um pouco, temos várias fábulas recontadas de uma maneira contemporânea e extremamente divertida.
Como o relançamento da série está acabando (no volume 22), acho que vale a pena correr atrás dos outros encadernados. Muito boa leitura!
Edição 21 (08/2015)  Quando saí a 22???????

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Tirando a poeira da Estante - Batman: Asilo Arkham

     Houve um tempo em que eu era leitor assíduo de sites, blogs de notícias (e scans, AHOY! lobo do mar! Gancho na mão e tapa olho na cara) e acompanhava religiosamente todas as notícias dos meus personagens favoritos. No entanto em uma pequena viagem a um sebo muito conhecido, acredito de todos os meus companheiros moradores da Asa Norte de Brasília, encontro uma pequena pérola chamada "Batman: Asilo Arkham". A capa bagunçada e cheia de recortes estranhos me fez duvidar de que aquilo era um gibi do Batman, mas estava escrito na capa então resolvi acreditar mesmo com o danado dentro de sua gaiola plástica na estante do sebo. Achei estranho nunca ter me esbarrado com uma capa tão distinta, e apesar de minha memória fraca e falha achei que se tivesse visto antes iria me lembrar.
Surrado e intrigante
     Quando li pela primeira vez, mandei um alto e sonoro PUTAQUEOPARIU, e voltei na capa somente para perceber do que se tratava o título "Uma séria casa num sério mundo" bem estampado e ainda assim escondido no meio da bagunça que é essa arte maravilhosa.
     Sempre vi as histórias do Batman (pelo menos as que considero melhores) como um ode á loucura, opinião já batida aí por milhões de leitores e fãs e que em minha humilde análise de merda é completamente corroborada por esta citada obra.
     Na trama, deu a louca na turminha do asilo e os detentos resolvem aprontar altas confusões na Sessão da Tarde, sequestrando toda a folha de pagamento da instituição que, pasmem, estão sendo mantidos vivos apenas pela benevolência e controle do Coringa sob os outros alucinados lá internados, em um bom roteiro que é cortesia do grande Grant Morrison.
     O Cavaleiro das Trevas é então chamado para resolver a situação (porque o Batman não tenta, o Batman faz), mas já sabendo que é esperado pelos vilões que requerem sua presença após (como era de se esperar) fazer várias e absurdas requisições à polícia. O herói vai então sozinho ao Asilo para se debater com a nata do seu Hall de inimigos, já devidamente preparados para a sua chegada. Na minha última leitura percebi que um dos seus pontos fortes da obra é a análise de cada um deles, mostrando o que passam durante o seu tratamento e detalhes intrigantes sobre as suas falhas de caráter e doenças mentais sob a luz de um dos psicólogos responsáveis pelos seus tratamentos.
     Em paralelo às desventuras do embate entre o bem e o mal, somos também apresentados ao fundador da Instituição Amadeus Arkham, em sua jornada de psicólogo bem sucedido até o final trágico como paciente de seu próprio Asilo após a perda de sua família de um modo brutal, tendo relação direta com o seu trabalho como médico. O Asilo por ele fundado guarda alguns dos seus terríveis segredos, e mesmo após a sua morte é o gatilho da história principal, que acontece décadas depois.
     Ao longo da trama, vemos que apesar de herói e força a serviço de um bem maior, Batman quase se perde ao longo da história, tendo sido vítima também de um trauma que o fez se "transformar" em um ser da noite, começa a se "identificar" com os pacientes do Asilo, sendo ele mesmo já consciente de sua própria "loucura" (muitas aspas, heim filho).
     Em um desfecho interessante, vemos até onde o filho favorito de Gotham está disposto a chegar para resolver a situação, jogando novamente na loucura um de seus já quase curados inimigos.
Dois lados de uma mesma moeda?!
     A arte é bem sinestética, com Dave Mckean transformando a revista inteira quase numa alucinação com traços errantes e por vezes um cenário quase inexistente. Não vejo de forma alguma estilo mais apropriado para uma temática tão complicada. Acredito que podem até tentar, mas jamais vão conseguir fazer novamente um Coringa tão aterorizante, nem tão visivelmente insano quanto o mostrado através do traço deste artista.
To com medo, papai...
     Tão insano que protagoniza uma cena que jamais pensei ver desenhada, aonde logo no começo o Palhaço do Crime tem a coragem de apalpar os glúteos do Morcego. Sim, você leu certo ( ͡° ͜ʖ ͡°).
Andou malhando?
     Batman, da mesma forma é retratado como uma figura extremamente sombria, literalmente quase uma sombra. Na maior parte dos desenhos, vemos apenas uma silhueta de sua forma icônica e até os balões utilizados para retratar as falas de cada um dos personagens é mostrada diferentemente, acentuando ainda mais a caracterização dos mesmos.
     Confesso que quando ouvi dizer que iriam fazer um jogo do Morcego cruzei os dedos para que fosse utilizado este roteiro, mesmo sabendo que o lançado é bombagarai, tinha esperança de que esta singela história pudesse encontrar o seu caminho através de outra mídias. Não custaria a DC fazer com que entre as suas recentes ótimas animações pudesse figurar mais esta, talvez como um thriller psicológico animado. Acredito piamente que em suas fileiras tenham artistas mais do que competentes para tal.
     E enfim, ao fim da história, somos lembrados da reticente relatividade que é a sanidade e que a lógica que rege as mentes loucas (para elas) é a válida e que para os internos dos hospício, o Asilo fica é do lado de fora...
Aquele sincero e profundo frio na espinha...
     Mais uma vez me despeço, e se alguns dos que se aventuram a ler o nosso blog quiserem podem deixar aí nos comentários sugestões ou pedidos para que possamos falar aqui. Lembrando que nós aqui do blog somos todos pessoas ocupadas, trabalhadoras, e responshehe... , hahashuaehasuhahahahaha... Desculpem, não aguentei, agora é sério, hehehe. Na medida do possível estaremos estando atualizando a página, e caso os senhores tenham sugestões, basta deixar nos comentários :), é de grátis.

Permaneçam "sãos" e até a próxima,
Câmbio e Desligo

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Tirando a poeira da estante - Marvels

Marvels, free as a bird (música na cabeça agora ON)

Senhores!

     Deixei juntar poeira de novo, porém em tempos de extrema falta de tempo como estou, atarefado até o pescoço faço o que toda pessoa sã faria: dar uma parada e escrever no blog que não é obrigação com a produtividade mas é com a minha sanidade.
    Volto aqui hoje com a prometida conversa sobre a obra intitulada "MARVELS", do fantástico trio: Kurt Busiek na bateria (brincadeira, no roteiro), Alex "the man" Ross no desenho e edição de Marcus McLaurin que deixa em cada pagina a certeza de ser uma equipe de extrema competência.
      Li tem tempo, um pouco após entrar na faculdade entre uma lapada ou outra dos estudos, porém a edição original é de 1994, dois anos antes da outra obra, esta mais conhecida de Ross: "Kingdom Come" pela DC, igualmente foda, porém essa fica para outra ocasião mas fica a promessa de entrar também na fila da sessão.
     Não preciso dizer da arte deste senhor, da qual sou fã já confesso nesta coluna e que novamente impressiona cada vez que abro as páginas de suas obras e vejo o realismo com que são retratados os heróis e seus colantes, dando ainda mais credibilidade a qualquer história por ele ilustrada.
     Roteiro também caprichado, Busiek nos traz uma história que se estende por várias décadas, acompanhando a trajetória de Phil Sheldon, um fotógrafo de Nova York que em início de carreira vê sua vida transformada com a aparição das "maravilhas", nome dado por ele mesmo aos superseres que são agora parte do seu cotidiano. A primeira maravilha que cruza o seu caminho é o "Tocha Humana", que para a minha surpresa em leitura inicial, nada tem a ver com a sua contraparte mais conhecida do Quarteto (uma pequena observação: Que filme lixo, putaqueopariu), e que na realidade é um andróide. Criado pelo cientista Phineas Horton, causa comoção e indignação quando mostrado à sociedade, trazendo de cara não emoção, insipiração e maravilhamento, mas sim medo de uma criatura que a mente humana ainda não conseguia, e por muito tempo ainda não conseguiria, compreender.

Tá errado esse negócio ae
     Ross sempre foi um artista ligado nos detalhes, e nos deixa em várias páginas alguns easter eggs divertidos, como por exemplo na imagem dos jornalistas acima a visão de um trio bem conhecido da DC Comics (passe o olho mais atentamente para ver Clark, Lois e Jimmy).
     O primeiro volume cobre uma parte da vida do Jovem Phil, deixando bem claro que será ele quem irá conduzir a história e que passaremos toda a jornada enxergando através de seu olho de fotógrafo. Sua vida entrelaçada com as maravilhas e feitos das caras mais conhecidas do mundo Marvel, sempre mostrando algo que não vemos nas grandes sagas já mostrados nos quadrinhos. Acredito ser esta visão que mexa mais com o leitor, quando entre enchentes e invasões alienígenas não vemos o herói que voa mostrando os seus poderes e tirando as pessoas de perto dos perigos, mas sim a do homem que está abaixo do céu, admirando e testemunhando batalhas das quais não poderá nunca fazer parte a não ser no papel de vítima. A grande inovação deste título, é fazer dos heróis antes protagonistas, agora coadjuvantes.
    Após a primeira aparição do Tocha Humana, vamos sendo apresentados aos vários heróis das eras antigas da Marvel, como Namor, Capitão América e amigos (alguns vingadores que se fossem mostrados aos jovens de hoje, acredito não conseguirem tanto reconhecimento), e em meio a aspirações de Phil de se tornar um fotógrafo de Guerra, vemos a sua relutância em deixar um local aonde tantas coisas incríveis acontecem. Tudo isso tem grande impacto em sua vida tanto pessoal como profissional, e não só para nosso protagonista mas também para todos a sua volta, como a namorada com quem pretende se casar, e o conflito de saber que sendo apenas um passageiro da história não poderá garantir a proteção de sua futura família.
Cria vergonha nessa sua cara, moleque..
     Os volumes se passam e Phil continua sua carreira como fotógrafo das Maravilhas, agora completamente embrenhadas na sociedade, prestando o serviço honroso de retratar os feitos dos Heróis, mas deixando sempre um olho atento às consequências das batalhas e catástrofes das quais participam. Em seu caminho vários personagens são mostrados, como o "bostinha" do Peter Parker (na minha edição, se me lembro bem era esse o adjetivo usado), Jonah J. Jameson, amigo próximo de Phil e retratado como o Barulhento editor, mas também como jornalista incansável e fiel aos princípios de verdade da profissão (a mesma visão dada em algumas edições pelos roteiristas do Demolidor), pelo menos em alguns momentos, visto que J.J. tem a visão oposta de Phil em relação as "maravilhas".
Os dois lados de uma mesma moeda
     Particularmente, uma parte que sempre me pega são suas interações com os mutantes, como sempre uma metáfora ao racismo, emulando na sociedade o medo inicial dos heróis juntamente com o preconceito, mas multiplicados pela perspectiva cruel e fatalista da substituição da Humanidade pela raça que alcançou o próximo estágio da evolução natural (ou nem tanto, já que são os "filhos do átomo"), que em verdade é visto e vivido por Phil tanto do lado dos mutantes quanto do lado da massa preconceituosa, talvez elucidando o leitor quanto a verdadeira função de um observador que é avaliar a história de ambos os pontos de vista. 
Os Marvetes tudo chora...
     Fãs do aranha, que aparece em alguns momentos, irão gostar da visão mais próxima de Gwen Stacy por Phil, que transparece a indignação talvez emprestada dos fãs direcionada ao evento de sua morte. Um pequeno adiantamento do futuro de Phil, pra quem quiser ler, aqui. Só pra constar mesmo, visto que eu particularmente acredito que em poucas ocasiões valha a pena liberar spoilers.
E assim se segue a história, também um apanhado de todos os eventos mais importantes do Universo Marvel (até a data), talvez uma celebração de tantos anos de bons contos de já sagrados personagens e visto como anda a industria de quadrinhos hoje, em meio a reboots a e guerras civis possa servir também como memorial de épocas em que a dita indústria maravilhava de formas mais simples e talvez até mais filosoficas, pois em meio as poucas procuras feitas por este que vos escreve de títulos semelhantes, não encontro mais obras deste calibre, ao menos pelas editoras que dominam o mercado (estou de olho em vocês, Marvel e Dc). Estando eu errado, lembro que a seção de comentários é sempre aberta e que estamos ávidos pelas palavras de retorno de nossos poucos porém (acredito eu) fiéis leitores.

Um pequeno anexo:
a arte de Ross com as referências que ele utiliza para os seus fantásticos quadrinhos, e aqui um pequeno apanhado dos artistas que usou já como referência:
Voando na mesinha de centro. Quem nunca?
Já dançou com o demônio sob a pálida luz do luar?

Fechamos então.

A vida chama, vamos embora que é segunda e o pão de cada dia não se ganha sozinho.

Uma semana curta e próspera para todos,
até a próxima, que espero ser breve


Pra quem quiser comprar:
Amazon (Malditos dólares)